Esqueci de uma coisa!

Bom gente, depois de muito tempo vou TENTAR terminar de contar minha saga pela Bolívia e Peru.

No trajeto Lima-Arequipa aconteceu um lance engraçado. Pegamos um ônibus que as janelas não abriam. É que, TEORICAMENTE, era pra ter um ar-condicionado no busão. Mas é LÓGICO que não tinha. Agora vc´s tentem imaginar o calor que estávamos passando. Lima fica ao nível do mar e na mesma latitude que Salvador. Bom, nem é preciso falar que estava BEM quente, né?

Depois de algumas horas de viagem, já descalços, sem camisa e com as pernas das bermudas levantadas até o meio da coxa, o ônibus resolve parar no meio da estrada.

Depois de sei lá quanto tempo parados resolvemos descer pra saber o que acontecia. Ninguém (nem o motorista) soube nos disser ao certo o que passava. O fato é que nossa pista estava interditada e não tinha previsão para voltar o trânsito normal.

Estávamos na frente de um vilarejo e resolvemos esperar sentados na mureta de uma casa na beira da estrada. Os poucos postes de luz iluminavam a fila de carros já sumia de nossas vistas. Do ônibus da frente saíram umas 10 crianças que começaram a brincar de pique. Agora a gritaria tomava conta do lugar. Como se não bastasse, surge do nada um maldito cachorro que fica latindo BEM do nosso lado.

O calor era insuportável e sono também. Se voltássemos para dormir dentro do ônibus, morreríamos cozidos. Se ficássemos do lado de fora, morreríamos de sono e de raiva do barulho. Olhei para o Diego e disse:

O que mais falta acontecer? 

Nem bem terminei de pronunciar a última sílada e ouvimos um PUTA barulho. TODOS os postes de luz se apagaram e a escuridão tomou conta do lugar. Apavoradas, as crianças que brincavam do lado de fora correram pra dentro do ônibus. O cachorro também se assustou e até parou de latir por uns minutos. Depois disso nossa reação foi invevitável. Começamos a rir desesperadamente. Assim que passou o ataque de risadas, começamos a cantar aquela famosa canção do Chico Buarque:

Deus é um cara gozador, adora brincadeira…

Voltamos para o busão, enfretamos o calor e voltamos a dormir. Sei lá quanto tempo depois a fila começou a andar novamente.

Olho no lance parte 2

Caraca… juro que eu não lembro aonde estávamos quando tiramos essas fotos… 

bolivia-e-peru-121_2

bolivia-e-peru-123_21

Lima – segundo dia

Acordamos e deixamos a casa que estávamos ficando. Nossa intenção era passar o dia todo no centro de Lima e depois pegar o ônibus para Arequipa. 
Deixamos nossas mochilas no guarda-volume da rodoviária e fomos dar um rolê.

Depois de andar uns 10 minutos o Diego notou que a mochila que eu carregava (uma mochila pequena, não os “mochilões”) estava aberta. Tirei tudo o que estava dentro e notei que tinham levado a ÚNICA COISA que não tinha valor: o meu diário de viagem. Fiquei PUTO pq até então estava anotando tudo que o vinha acontecendo. Não foi só isso: tb estava anotando o e-mail de todo mundo que conhecemos durante toda a viagem! 

Começamos a procurar saber como faziamos pra chegar no Museu do Ouro. Depois de perguntar para umas 353 pesssoas, ficamos sabendo que não havia transporte coletivo até o Museu! Isso mesmo!!!!!!!! Estávamos no CENTRO DA CAPITAL DO PERU e não tinha UM TRANSPORTE COLETIVO até o Museu do Ouro! Ou seja, tínhamos que pegar um táxi. Daí ficamos sabendo que para entrar no Museu morria mais 30 soles. Foi quando fizemos as contas de quanto íamos gastar e achamos melhor desistir do museu.

Acabamos indo até o Estádio Nácional de Lima. Vimos o campo onde o Brasil derrotou a Argentina na final da Copa América do ano passado.

As 21h deixamos Lima com sentido à Arequipa. A vadia que nos vendeu a passagem nos disse que chegaríamos em Arequipa por volta das 13h. Só que nosso ônibus foi chegar as 18h !!!

Descemos na rodoviária e fomos procurar um lugar pra tomar banho, afinal acabávamos de encarar uma viagem de 21 horas. Achamos um hotelzinho que ficava anexo à estação rodoviária. Havia um quarto vago e a camareira liberou o banheiro por 3 soles cada. Tomei banho e fomos atrás das passagens até La Paz. 

Não conseguimos encontrar nenhum ônibus direto, mas ficamos sabendo de um que ia até Desaguadero, na divisa com a Bolívia. Lá pegaríamos uma lotação até a capital boliviana. Compramos as passagens, e compramos algumas coisas para comermos no caminho. 

EM BREVE – Carnval em Boiçucanga.

Hasta la vista, Machu Picchu

Deixamos Machu Picchu com o sentimento de dever cumprido. Chegamos em Ollantaytambo, pegamos um busão para Urubamba e de lá fomos para Pisaq.

Pisaq é uma cidadezinha minúscula, mas aos domingos uma feira enorme toma conta da cidade. Praticamente TODO o centro fica tomado por barrinquinhas de artesanato, jóias, comidas, roupas, etc. No final da tarde pegamos uma van para Cusco.

Chegamos em Cusco e fomos direto à rodoviária. Nosso próximo destino: Lima. Chegando lá na hora de comprar as passagens o Diego descobre que ele havia pegado uma nota de 50 soles FALSA ! Ele voltou até a casa de câmbio que havia trocado a nota mas não conseguiu pegar outra!

Lima

Depois de 21 horas de viagem, FINALMENTE chegamos à capital peruana. Descemos no centro da cidade, um lugar MUITO feio e sujo. Pegamos um táxi até o bairro de Miraflores onde tínhamos o endereço de um albergue.

Chegamos lá mas o albergue estava lotado. Por um incrível lance de sorte, conhecemos uma senhora que morava ao lado do albergue. Ela tinha um quarto para alugar e decidimos ver qual era. O quarto ficava terraço da casa dela sendo totalmente independente. Tinha um banheiro limpinho e até máquina de lavar!! Não hesitamos e ficamos lá mesmo.

De noitinha saímos para dar um rolê pelo bairro. Miraflores é muito diferente do centro de Lima. É um bairro a beira mar e tudo é muito novo e chique. 

No outro dia fomos ar uma volta no centro e ver uns museus. Visitamos o Museu Nacional de Lima, que fica num parque muito legal. Mas o melhor passeio custo/benefício foi ver a Igreja de S. Francisco. Pagamos 2,50 soles e tivemos uma visita com guia e tudo! E o mais impressionante: a igreja tem TUMBAS embaixo ela. E acreditem, estão abertas para visitantes!! Foi um dos lugares mais sombrios que eu já fui em toda minha vida!!!! As tumbas era bem escuras e o ar era gelado e cheirava muito estranho. Passamos por diversas ossadas humanas. Vimos sei lá quantos crânios, tíbias e perônios! Argh!!! E, segundo a guia, ainda existem partes para ser descobertas!

Voltamos para o centro, demos mais uma volta e voltamos pra casa. Era finalzinho de tarde mas tínhamos que ir ver o Pacífico. Chegamos a praia e a primeira surpresa: só tinha pedras! Mesmo assim entramos na água, que não estava fria. Saímos do mar e fomos dar mais uma volta.

De noite saímos pra jantar e empolgamos na cerveja. Bebemos algumas Pilsen e fomos dormir.

Olho no lance !!

No trem a caminho para Águas Calientes conhecemos uma família de brasileiros que tb estavam indo para Machu Picchu. NiltonSilvana e seus filhos Mônica Leandro saíram de Brusque-SC para encarar uma viagem pela América do Sul. Já haviam passado pela Argentina e Chile. Detalhe: estavam de carro (ou melhor, camionete)! 

mp01Essa foto foi tirada às vesperas de Machu Picchu. Estávamos em Águas Calientes tomando uma cervejinha. Afinal, ninguém é de ferro. 
Da esq. pra dir: Silvana, Monica, eu, Leandro e Brenno. 

Após atingirmos o ápice de nossa viagem, pegamos o trem e nos depedimos de Águas Calientes. 

mp02Essa foto foi tirada assim que chegamos em Ollantaytambo.
Da esq. pra dir: Leandro, Pedro, Glória, Brenno, eu, Diego, Monica e Silvana.

Machu Picchu

Decidimos NÃO fazer a trilha inca (de dura 4 dias e 3 noites). Porém, não pegamos o busão que nos deixaria na cara do gol. Subimos até Machu Picchu a pé mesmo.

Depois de quase UMA HORA de subida chegamos na entrada da cidade. Lá em cima tudo era muito moderno, com sofisticadas lanchonetes, lojas e até hotel de luxo!

Paguei US$ 10 para entrar (isso graças a minha carteira de estudante. Cabrita, é claro.). Mas a primeira visão que tive já valeu CADA CENTAVO. Machu Picchu é, sem dúvida, um lugar maravilhoso. Muitas pessoas sentem algo diferente naquele lugar. Alguns dizem que há uma energia mística lá. Eu sinceramente não senti força alguma. Mas confesso que foi uma experiência única passar por um lugar que um dia foi um centro de resistência Inca que lutava contra a colonização espanhola. Constantemente imaginava aquele lugar em sua época áurea, prosperando. As ruínas parecem que ainda sentem a dor de um povo que foi disseminado da face da terra.

Ficamos por quase meia hora só contemplando a vista da cidade. Depois saímos para fazer algumas trilhas que tinham por lá. 

machu-picchu

Essa foto mostra as ruínas e, ao fundo, um conjunto de montanhas. Se notarem bem, essas montanhas se assemelham muito com o perfil de um índio. Conseguiram ver?

Bom, o fato é que a montanha maior (ou o nariz do índio), chamada Wayna Picchu é aberta para visitação. O foda foi chegar no topo dela. Levamos mais 45 minutos até o topo. Uma caminhada de 45 minutos pode ser tranquila, né? É mesmo. Isso se for no PLANO e ao NÍVEL DO MAR. Agora, subir uma trilha íngrime, no meio do mato, a 4.000 metros de altitude é OUTRA HISTÓRIA.

Quando cheguei lá em cima tive que dar um cochilo de uns 15 minutos pra conseguir voltar. Acordei, fiquei mirando a paisagem e voltamos

Conhecemos mais 3 brasileiros lá em cima e resolvemos ir até oTEMPLO DA LUA. Esse templo fica nessa mesma montanha e descemos por outra trilha pra chegar nele. O foda foi pra voltar. Tivemos que SUBIR TUDO DE NOVO por outra trilha e, só depois, descer pela trilha principal até a saída. Juro que eu achei que ia morrer. Minhas pernas estavam bambas e meu pulmão parecia que só estava funcionando com 30% de sua força. Pensei comigo: agora já era.. Não sei de onde eu, Diego, Brenno e o outros 3 brasileiros tiramos forças pra chegar até a saída. Mas o fato é que conseguimos.

Voltamos para as ruínas de Machu Picchu. Ficamos mais um pouco e voltamos para a cidade de Aguas Calientes.

Mais amigos

Durante toda a confusão relatada no post abaixo, nós conhecemos mais 3 viajantes: Pedro (Floripa), Brenno (Vitória) e Gloria (Itália). Chegamos em Cusco e decidimos ficarmos todos juntos pq em 5 pessoas seria mais facil chorar um descontinho nos albergues. 

Cusco

Sem dúvida foi a cidade mais bonita que eu vi nessa viagem e uma das mais belas que eu vi em toda minha vida. Cusco foi a capital do Império Inca e suas arquitetura é FASCINANTE. Alguns muros e casas ainda preservam o estilo inca e muitas construções lembram a Espanha do período colonial. 
Pena que ficamos pouco tempo lá. 

Ruínas 

Próximo a Cusco existem 4 ruínas do império Inca. Pegamos um busão que nos deixou na mais distante e depois fomos descendo a pé e olhando todas as outras. Algumas ruínas são bem interessantes outras nem tanto. Mas o que valeu mesmo foi nossa caminhada. Por mais de DUAS horas passamos por montanhas, vales, planices e até um brejo! Muitas vezes olhava ao meu redor e me sentia no filme O Senhor dos Anéis ! 

Balada 

Em Cusco existem várias casas noturnas e a concorrência entre elas é absurda. Pra terem um idéia,TODAS baladas não cobram pra entrar e QUASE TODAS AINDA dão um FREE DRINK . Então o que fizemos? Entrávamos numa balada, tomávamos a bebida de graça e depois saímos. Fizemos isso umas 3 ou 4 vezes. O legal era os promoters das baladas nos puxando para entrar nas casas noturnas. Parecíamos que éramos celebridades. Tinha umas 20 pessoas nos cercando e berrando nas nossas orelhas. Teve uma hora que encheu o SACO, mas foi divertido. 
Entramos na MAMA AMERIKA, uma das melhores baladas de Cusco. Chegamos lá, pegamos a bebida e pedimos para o DJ tocar música brasileira. E não deu 5 minutos pra começar a tocar aquela música:onda, onda, olha a onda…. Daí só deu eu, Diego, Breno, Pedro e Glória fazendo as coreografias NO MEIO DA PISTA. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHHA…. foi do caralho!

Próximo post

Não “PERDAM”! MACHU PICCHU !